Síndrome de Pica: Entenda esse Distúrbio Alimentar Comum em Grávidas e Crianças

A alotriofagia, conhecida popularmente como síndrome de pica, refere-se ao comportamento de ingerir substâncias que não são alimentos.

Tudo sobre a síndrome de pica – iStock/Phynart Studio

No contexto clínico, suspeitamos da condição quando a pessoa demonstra esse comportamento com frequência e não consegue explicar o motivo, ou não se sente estranha em relação a isso. Em alguns casos, pode ser algo que persiste por meses e o indivíduo apenas menciona ocasionalmente“, comenta a nutricionista Jaqueline Lagares, em entrevista à Catraca Livre.

Características da síndrome de pica

O termo “pica” deriva do nome de uma ave, a pega-rabuda (Pica pica), que é conhecida por consumir diversos objetos e materiais.

Conforme a especialista, pessoas afetadas geralmente ingestão terra, gelo, amido cru, sabão, pedras, cabelo, papel, giz e carvão: “A variedade é surpreendente. Há quem coma até pedaços de plástico ou tecido.”

Para diagnosticar o transtorno, é essencial avaliar a frequência e a duração desse comportamento. Se for uma ação isolada, fruto da curiosidade ou sem repetição, geralmente não é motivo de preocupação.

Se a prática ocorre de maneira frequente, por semanas ou meses, e a pessoa tem dificuldade para interrompê-la, então é necessário buscar ajuda“, alerta.

O consumo de itens não alimentares pode levar a intoxicações, infecções, obstruções intestinais, problemas dentários e até envenenamento: “Além dos riscos a longo prazo, como deficiência de nutrientes quando a dieta é afetada.”

Crianças pequenas estão entre os mais vulneráveis a desenvolver esse transtorno – iStock/Denis Moskvinov

Grupos mais suscetíveis ao transtorno

  • Crianças pequenas;
  • Gestantes;
  • Pessoas com transtornos de desenvolvimento ou deficiência intelectual;
  • Pessoas que apresentam deficiência de ferro e zinco. “Em certas situações, a vontade de comer terra pode indicar que o corpo necessita de algum nutriente. No entanto, isto não é sempre o único fator envolvido“, ressalta Jaqueline.

“Adultos também podem ser afetados, especialmente em situações de estresse emocional ou problemas nutricionais significativos.”

Quando buscar ajuda?

Quando a conduta começa a afetar a saúde física, emocional ou a rotina cotidiana, é um sinal claro de que é hora de procurar apoio.

Um outro sinal de alerta, segundo a profissional, é quando o consumo dessas substâncias se torna compulsivo e difícil de controlar, ou quando mudanças no comportamento são notadas pelos familiares.

Os indivíduos com a síndrome de pica devem buscar auxílio de psiquiatras e psicólogos. O diagnóstico é clínico e se fundamenta na ingestão regular de itens não alimentares por no mínimo 30 dias.

Exames podem ser solicitados, e o médico pode encaminhar para outros especialistas no caso de complicações, como obstruções intestinais.

Tratamento da síndrome de pica

O tratamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos, psiquiatras e, em alguns casos, médicos pediatras ou clínicos. É essencial cuidar tanto do aspecto físico quanto psicológico e emocional“, destaca.

O nutricionista desempenha um papel significativo na investigação das causas, principalmente se houver deficiências nutricionais. Além disso, ele orienta sobre uma dieta equilibrada e acompanha o progresso para verificar se a correção dos nutrientes resulta em melhorias no comportamento.

Quando a pica está relacionada à deficiência de ferro ou zinco, a correção dessas carências pode ajudar a reduzir o distúrbio. No entanto, nem sempre a origem é meramente nutricional, tornando fundamental a avaliação individualizada de cada caso.