Qual é o número ideal de amigos para alcançar a felicidade? A ciência explica.

Nos Estados Unidos, o percentual de adultos que afirmam não ter um amigo íntimo quadruplicou em pouco mais de uma década – iStock/andreswd – Getty Images

Por que abordar o tema da amizade agora? Porque, apesar de ser fácil enviar um emoji, muitos ainda sentem a solidão ecoando ao seu redor.

O número de amigos está em queda acentuada. Nos Estados Unidos, a porcentagem de adultos que relatam não ter amizade íntima aumentou quatro vezes em um pouco mais de uma década (3% em 2008 para 12% em 2021). Entre as mulheres, essa elevação foi ainda mais significativa.

Esse fenômeno traz à tona um aspecto que frequentemente passa despercebido nas planilhas de produtividade: a importância de ter alguém em quem confiar.

O que as pesquisas (ainda escassas) revelam

Quantos amigos são “suficientes”?

Levantamentos indicam que a média é de 3 a 6 laços íntimos.

Há um limite para as conexões?

A teoria do “número de Dunbar” propõe que um indivíduo pode manter 150 relacionamentos ativos, dos quais apenas 5 são muito profundos.

Quanto tempo é necessário para criar intimidade?

Pesquisas indicam que cerca de 200 horas de convivência, marcada por sinceridade e presença, são necessárias (Jeffrey Hall, Universidade do Kansas).

Quando a qualidade é mais importante que a quantidade

Saúde física: Um estudo de 2016 com mais de 3.000 adultos demonstrou que o número de amigos é crucial para a saúde. Aqueles com seis ou mais bons amigos experimentam menores índices de pressão arterial e níveis inflamatórios.

Bem-estar na meia-idade: Pesquisadoras australianas descobriram, em 2020, que mulheres com ao menos três amizades sólidas relataram maior satisfação geral – mesmo quando controladas por fatores como renda, estado civil e escolaridade.

Os especialistas concordam: a profundidade das relações é mais significativa do que a quantidade de contatos. Amizade não é uma coleção; é algo que requer manutenção.

Dados do Instituto Ipsos indicam que cerca de 50% dos brasileiros se sentem solitários – iStock/klebercordeiro – iStock/klebercordeiro

Sinais de alerta

  • Percebe dias inteiros sem interações fora do trabalho.
  • A solidão permanece mesmo quando está cercado por pessoas.
  • Adia convites por achar que “não haverá assunto”.
  • Durante a pandemia, um em cada três norte-americanos relatou sentir “solidão severa”. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para abrir-se a novas conexões.

Adulto ocupado, coração apertado: é possível reverter essa situação?

Falta de tempo – Transforme atividades cotidianas em encontros: caminhe ou faça compras com um amigo.

Distância geográfica – Reinicie contato com amigos antigos através de áudios curtos de dois minutos – o suficiente para caber na agenda, mas longo o bastante para mostrar cuidado.

Timidez ou introversão – Envolva-se em grupos de interesse (como clubes de leitura ou aulas de cerâmica). Um tema em comum facilita o primeiro contato.

O que podemos concluir

Não existe uma fórmula mágica: algumas pessoas prosperam com um círculo íntimo de três amigos; outras precisam de uma mesa cheia aos domingos. O que realmente importa é ter ao menos alguém que consiga entender seus silêncios.

Num mundo que mede sucesso por seguidores, é essencial lembrar que realização se encontra nas horas compartilhadas, telefonemas espontâneos e na certeza de que, se algo der errado, há braços prontos para apoiar.

Amizade é uma estatística? Somente na superfície. A partir de certo ponto, transforma-se em histórias – a sua e a de quem decidiu ficar ao seu lado.

Estudo de Harvard revela a importância das amizades para a saúde

A relevância de estabelecer laços com pessoas mais velhas ultrapassa o simples intercâmbio de experiências; trata-se de uma valiosa oportunidade de aprendizado e crescimento pessoal.

Isso é sugerido pelo estudo Harvard Study of Adult Development, realizado pela renomada instituição de Massachusetts, que acompanhou a trajetória de centenas de pessoas ao longo de mais de 80 anos.