O uso excessivo de analgésicos pode ser a causa da sua dor de cabeça.

Para aqueles que enfrentam dores de cabeça frequentes ou enxaquecas, a primeira reação costuma ser recorrer a analgésicos como ibuprofeno, paracetamol ou até mesmo codeína. No entanto, conforme explica Mark Potter, médico de família no Hospital da Universidade de Illinois (EUA), o alívio que esses medicamentos oferecem pode acabar se tornando um gatilho para a dor.

Em sua coluna no jornal The Times, o especialista detalhou um fenômeno ainda pouco reconhecido: a “dor de cabeça por uso excessivo de medicamentos”, que pode se tornar crônica quando o corpo se adapta ao uso frequente de analgésicos.

O que é a dor de cabeça por uso excessivo de medicamentos?

Essa condição surge quando o uso regular de remédios para dor — mesmo os mais comuns — provoca um efeito rebote no organismo. De acordo com Dr. Potter, a sequência típica envolve uma pessoa que inicia o consumo de analgésicos de forma ocasional e, ao longo do tempo, começa a usá-los quase todos os dias do mês.

“A dor geralmente aparece ao acordar e tende a melhorar com os comprimidos, mas os efeitos duram cada vez menos, originando um ciclo de consumo contínuo”, observa o médico.

Dor de cabeça também pode ser causada por uso excessivo de medicamentos, segundo médico – AntonioGuillem/istock

Mulheres entre 30 e 40 anos são as mais afetadas

Embora qualquer pessoa possa desenvolver esse tipo de cefaleia, o Dr. Potter ressalta que ela é mais prevalente em mulheres entre 30 e 40 anos. Fatores como ansiedade, depressão e predisposição genética também parecem contribuir para essa condição.

Ademais, os analgésicos não precisam ser “fortes” para induzir o problema. Medicamentos comuns e de venda livre, como o paracetamol, podem ser suficientes para provocar a dor quando usados em excesso.

Efeitos colaterais e como tratar

Descontinuar o uso dos analgésicos pode ser desafiador no início. Durante as três primeiras semanas após a interrupção, as dores de cabeça podem intensificar-se. Porém, segundo o especialista, esse período de abstinência geralmente resulta em uma melhora significativa nos sintomas.

Por isso, o acompanhamento médico é essencial. Muitas vezes, ajustes na rotina de sono, alimentação e gerenciamento do estresse ajudam a aliviar as dores sem necessitar do uso contínuo de medicamentos.

Quando procurar ajuda

Se você se vê utilizando analgésicos vários dias por semana ou percebe a necessidade de doses cada vez maiores para obter alívio, é crucial consultar um profissional. A automedicação pode ocultar um problema mais sério e criar um ciclo difícil de romper.

Identificar o tipo de dor e ajustar o tratamento são etapas fundamentais para evitar que o remédio se torne o verdadeiro vilão da situação.

Os tipos mais comuns de dor de cabeça e suas sensações