Jejuar duas vezes por semana pode aumentar sua expectativa de vida em mais de 10 anos, revela pesquisa.

Pesquisas indicam que o período logo após o jejum, conhecido como realimentação, é um momento crítico para o organismo, durante o qual ocorre intensa atividade celular no intestino – depositphotos

Um novo estudo publicado na prestigiosa revista Nature destaca os benefícios do jejum intermitente para a longevidade, e o mais interessante é que isso ocorre mesmo sem uma diminuição na ingestão calórica total. A pesquisa, que envolveu 937 camundongos fêmeas geneticamente variados, revelou que jejuar por um ou dois dias na semana pode aumentar a expectativa de vida de maneira semelhante à restrição calórica contínua.

Como a resposta do corpo ao jejum pode ser mais relevante do que comer menos

No decorrer do experimento, os roedores foram divididos em cinco grupos, incluindo dois que se dedicavam ao jejum intermitente: um jejuando um dia por semana e outro por dois dias consecutivos. Embora consumissem a mesma quantidade total de calorias que os grupos com alimentação ilimitada, os camundongos que jejuaram conseguiram viver muito mais.

Aqueles que se abstiveram de alimentos por dois dias por semana apresentaram os maiores incrementos na longevidade — comparável ao grupo que teve uma redução de 40% na ingestão calórica, o que, em termos humanos, poderia equivaler a mais de uma década de vida adicional.

Pesquisadores mostram que o corpo responde melhor ao jejum do que à simples redução de calorias. – simply/depositphotos

Comparação entre restrição calórica e jejum: o que realmente faz diferença?

Os indicadores de saúde nem sempre apontam para a longevidade. A pesquisa indicou que marcadores tradicionais, como um baixo percentual de gordura e um metabolismo glicêmico saudável, não foram necessariamente os melhores preditores de uma vida longa. Em alguns casos, camundongos que mostraram menos melhora nesses indicadores ainda viveram mais do que os outros.

Os cientistas também notaram que a genética teve um papel crucial na resposta à dieta. Camundongos que mantiveram seu peso em situações de estresse ou que tinham proporções específicas de células imunes no sangue tendiam a ter uma vida mais longa.

Cuidado com o jejum excessivo: nem toda prática é benéfica

Embora os resultados sejam promissores, o estudo destaca os perigos da restrição extrema. Camundongos que seguiram dietas com uma redução de 40% nas calorias mostraram perda de massa muscular e alterações no sistema imunológico que podem torná-los mais vulneráveis a infecções. Isso enfatiza a necessidade de um equilíbrio ao aplicar estratégias de jejum no cotidiano.