Após quase 20 anos tentando engravidar sem êxito, um casal finalmente comemora sua primeira gestação, graças à inteligência artificial (IA). O novo método, chamado STAR (Sperm Tracking and Recovery), desenvolvido pelo Columbia University Fertility Center, conseguiu localizar três espermatozoides em uma amostra que antes parecia estéril, possibilitando uma fertilização in vitro (FIV) bem-sucedida.
Azoospermia: o desafio invisível da infertilidade masculina
A dificuldade enfrentada pelo casal se originava de um diagnóstico pouco conhecido: azoospermia, uma condição em que não se encontram espermatozoides no sêmen, mesmo após exames detalhados. Cerca de 10% dos homens inférteis sofrem desta condição.
Como funciona o método STAR
O STAR transforma a detecção ao usar IA e tecnologia de imagem avançada para escanear milhões de células rapidamente. O sistema analisa a amostra em um chip especial conectado a uma câmera de alta velocidade, produzindo até 8 milhões de imagens por hora para identificar e isolar os raros espermatozoides funcionais.
Em um dos testes, a equipe levou dois dias sem encontrar espermatozoides em uma amostra, mas o STAR conseguiu localizar 44 em apenas uma hora, marcando uma revolução na medicina reprodutiva.
Alternativa menos invasiva aos tratamentos tradicionais
Anteriormente, homens com azoospermia precisavam passar por procedimentos invasivos, como cirurgias testiculares, ou optar por doadores de sêmen. O STAR oferece uma alternativa menos agressiva e mais promissora, diminuindo o risco de complicações e aumentando as chances de paternidade biológica.
A inovação do STAR se junta a outras aplicações da IA já utilizadas em clínicas de fertilização, desde a análise da qualidade dos óvulos até a seleção de embriões saudáveis.
“A IA nos ajuda a enxergar o que nossos olhos não conseguem”, observa a endocrinologista reprodutiva Aimee Eyvazzadeh. “É muito empolgante. A inteligência artificial representa um novo horizonte para a medicina.”
Futuro promissor e acessível?
Atualmente, o método STAR está disponível apenas no Columbia University Fertility Center, mas os pesquisadores têm a intenção de expandir o acesso a outras instituições médicas. O custo estimado do procedimento é de US$ 3.000.
