O câncer de intestino, conhecido como câncer colorretal, é um dos mais frequentes e fatais no mundo. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ele ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais comuns e é a segunda principal causa de morte relacionada à doença globalmente.
Esse câncer atinge predominantemente o cólon e o reto, resultando do crescimento anômalo de células nessas áreas. Embora fatores genéticos desempenhem um papel, o desenvolvimento da doença está fortemente ligado ao estilo de vida, sobretudo aos hábitos alimentares. Compreender esses fatores é essencial para a prevenção e para aumentar a conscientização da população.
Principais fatores de risco
A idade é um dos principais fatores que elevam o risco de câncer de intestino, com a maioria dos casos ocorrendo em pessoas acima de 50 anos. Indivíduos com histórico familiar da doença ou portadores de síndromes genéticas, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar, apresentaram risco significativamente maior.
Doenças inflamatórias intestinais, como colite ulcerativa e Doença de Crohn, são fatores de risco bem estabelecidos. Ambas se enquadram no grupo de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), que, quando crônicas, podem causar alterações nas células intestinais, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de tumores.
Contudo, não são apenas os fatores genéticos que contribuem para o surgimento do câncer colorretal. Comportamentos e hábitos alimentares desempenham um papel crucial e podem ser ajustados para mitigar o risco.
A conexão com a alimentação
A alimentação é um dos fatores externos mais relevantes, com ampla evidência científica indicando que determinados padrões alimentares podem elevar ou reduzir o risco de câncer de intestino.
O impacto do consumo de carne vermelha e processada
Estudos globais indicam que dietas ricas em carnes processadas e vermelhas estão ligadas a um aumento no risco de câncer colorretal. Carnes processadas — como bacon, presunto, salsichas e linguiças — contêm aditivos como nitratos e nitritos, que podem se converter em nitrosaminas durante a digestão, substâncias reconhecidamente cancerígenas.
Além disso, métodos de preparo, como grelhar e assar, liberam compostos como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e aminas heterocíclicas, que podem danificar o DNA e favorecer o surgimento de células cancerosas.
De acordo com o Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer, a eliminação do consumo de carnes processadas poderia evitar milhares de novos casos da doença anualmente — cerca de 6.000 em homens e 2.500 em mulheres.
Dietas ricas em gorduras saturadas e trans
O consumo excessivo de gorduras, especialmente as saturadas e trans, também está intimamente relacionado ao aumento do risco. Este tipo de alimentação pode levar à obesidade, um fator de risco bem conhecido para o câncer intestinal.
Dietas ricas em gorduras também estimulam a produção de ácidos biliares no intestino. Quando convertidos em ácidos biliares secundários, podem interagir com a mucosa intestinal, contribuindo para processos inflamatórios e cancerígenos.
A deficiência de fibras na dieta
Em contrapartida, uma dieta pobre em fibras também eleva o risco. As fibras, presentes em alimentos como grãos integrais, frutas e verduras, são fundamentais para o bom funcionamento do intestino. Elas ajudam na regularização do trânsito intestinal, diminuindo o tempo de exposição da mucosa a agentes cancerígenos.
As fibras insolúveis, encontradas principalmente em cereais integrais, promovem o aumento do volume fecal e favorecem a regularidade intestinal. Fibras solúveis, presentes em leguminosas, frutas e algumas hortaliças, ajudam a manter uma microbiota intestinal saudável, que também é protetora contra o câncer.
Álcool: um inimigo silencioso
O consumo de bebida alcoólica também é um comportamento que contribui para o aumento do risco de câncer intestinal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta que não há um nível seguro de álcool quando se trata de prevenção do câncer.
Durante o metabolismo do álcool, o organismo produz acetaldeído, uma substância tóxica e cancerígena capaz de danificar o DNA e irritar a mucosa intestinal. Além disso, o álcool prejudica a absorção de nutrientes protetores, como o folato, que é essencial para evitar alterações celulares.
As diretrizes de saúde sugerem que, se houver consumo, ele deve ser limitado a uma dose diária para mulheres e duas para homens.
Ingestão excessiva de açúcares
A ingestão excessiva de açúcares simples, presentes em refrigerantes, doces, bolos e sobremesas industrializadas, também levanta preocupações. Pesquisas indicam que dietas com alta carga glicêmica estão associadas ao aumento do risco de câncer colorretal, principalmente entre adultos mais jovens.
Um estudo abrangente publicado no The Journal of Nutrition acompanhou mais de 190 mil pessoas nos Estados Unidos ao longo de quase 20 anos. Os resultados mostraram que a alta ingestão de açúcares — como frutose, glicose e maltose — aumentou significativamente o risco de câncer no cólon, especialmente entre pessoas com idades entre 45 e 54 anos e entre a população latina.
