Descubra os Sintomas da Insuficiência Venosa Crônica que Atingiram Donald Trump

Dor e inchaço nas pernas são dois dos sintomas da insuficiência venosa crônica – reprodução/instagram

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos recebeu o diagnóstico de doença venosa crônica. Essa condição se caracteriza pela dificuldade das veias das pernas em cumprir sua função primordial: retornar o sangue ao coração, especialmente quando as válvulas venosas, que atuam como pequenas ‘portas’ para impedir o refluxo sanguíneo, começam a falhar.

“Isso resulta na acumulação de sangue nas pernas, ocasionando pressão, varizes e sintomas como inchaço, dor, sensação de peso e alterações na pele”, esclarece a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, pertencente à Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

Conforme a especialista, essa condição é progressiva, porém pode ser controlada e tratada com a orientação adequada. Abaixo, a médica detalha aspectos essenciais sobre o problema:

Quais são as causas dessa condição?

A insuficiência venosa ocorre, principalmente, devido a falhas no sistema valvular das veias ou por obstruções que dificultam o retorno do sangue. O mais comum é que, ao longo do tempo, as válvulas venosas percam eficácia, normalmente por questões genéticas ou fatores externos, como obesidade, sedentarismo, múltiplas gestações, e longos períodos em pé ou sentado, além do próprio envelhecimento vascular.

Outra hipótese, segundo Dra. Aline Lamaita, é a presença de sequelas de tromboses anteriores, que podem comprometer o sistema venoso, conhecida como síndrome pós-trombótica. “Conforme essa falha no retorno venoso persiste, a pressão nas veias das pernas aumenta, causando sobrecarga circulatória”, explica a médica.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas variam de acordo com a gravidade do quadro, mas os mais frequentes são:

  • peso nas pernas
  • inchaço ao final do dia
  • dor
  • câimbras noturnas
  • veias dilatadas visíveis (varizes)
  • escurecimento da pele nos tornozelos (dermatite ocre)
  • úlceras venosas (em casos avançados)

Os sintomas costumam se agravar com o calor ou após longos intervalos em pé, melhorando ao elevar as pernas ou ao caminhar.

A gravidade do problema está relacionada ao grau de comprometimento do sistema venoso e aos hábitos de vida da pessoa, resultando em casos graves com poucas queixas e outros com leves alterações, mas muitos sintomas, alerta a médica.

Quais fatores causam a insuficiência venosa crônica?

A principal causa é a disfunção das válvulas veinais, levando ao refluxo e ao acúmulo de sangue nas pernas, o que pode ser provocado por predisposição genética, idade avançada, múltiplas gestações, sobrepeso, falta de atividade física e hábitos como ficar longos períodos em pé ou sentado.

Pessoas que já sofreram trombose venosa também têm um maior risco de desenvolver essa condição como uma complicação tardia.

De maneira geral, a insuficiência venosa crônica se divide em três tipos principais: primária, secundária e funcional.

A forma primária, que é a mais comum e de origem genética, se relaciona à fraqueza das paredes e válvulas venosas. Comumente conhecida como varizes, afeta cerca de 30% a 40% da população, sendo mais frequente em mulheres, com a incidência aumentando com a idade, podendo chegar a 80% entre os idosos.

A forma secundária é resultado de outras doenças, como trombose ou traumas vasculares, sendo a trombose venosa profunda a mais prevalente nesse grupo, e que pode deixar sequelas nas veias após tratamento. Por fim, a forma funcional não apresenta um problema real na circulação, mas ocorre uma sobrecarga do sistema por outras razões, como obesidade, sedentarismo (baixa atividade muscular), sobrecarga postural, gestação, insuficiência cardíaca ou alterações da tireoide que podem manifestar-se como inchaço e dor. “Se a causa afeta alguém que já tem um problema primário, isso intensifica e acelera a doença”, completa a médica.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico se inicia com uma avaliação clínica completa, onde o médico examina os sintomas, o histórico familiar e realiza um exame físico das pernas. A confirmação é obtida por meio da ultrassonografia com Doppler venoso, um exame que visualiza em tempo real o fluxo sanguíneo nas veias, identificando refluxo, obstruções ou sinais de trombose anterior. Essencialmente não invasivo e indolor, esse exame é crucial para guiar o tratamento adequadamente.

Para casos mais avançados ou com suspeitas específicas, outros exames podem ser requisitados, mas o ultrassom Doppler é considerado o padrão ouro no diagnóstico. No caso da forma funcional, o diagnóstico será clínico, pois muitas vezes o Doppler pode resultar normal, e outros exames complementares podem ser solicitados para um melhor controle da condição.

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