As bebidas energéticas são projetadas para proporcionar um aumento na energia e na disposição mental e física. Geralmente, contêm cafeína, taurina, açúcares ou adoçantes, além de outros componentes que ajudam a melhorar a energia e minimizar a fadiga. Nos últimos anos, o consumo dessas bebidas cresceu consideravelmente, especialmente entre jovens e adultos.
Conforme uma pesquisa realizada pela Kantar, que analisa dados de marketing e comportamento do consumidor, houve um aumento de 54% no número de consumidores de energéticos no Brasil em apenas um ano (de 2023 a 2024). O principal motivador apontado para o consumo dessas bebidas foi o sabor (39%).
“Além da cafeína, os energéticos podem incluir açúcares como glicose, sacarose e frutose, além da taurina, um aminoácido. Esses ingredientes potencializam os efeitos da cafeína no sistema nervoso central, tornando as bebidas ainda mais energizantes,” explica Andressa Alves de Souza, nutricionista clínica da Casa de Saúde São José.
Riscos do consumo excessivo de cafeína e outros estimulantes
O limite recomendado de cafeína para adultos saudáveis é de cerca de 400 mg por dia, o que equivale a aproximadamente 4 a 5 xícaras de café. Uma lata de energético pode conter entre 80 e 200 mg de cafeína, e essa quantidade, somada ao consumo de cafés, refrigerantes e outros produtos, pode facilmente exceder o limite diário sugerido.
Embora a quantidade de cafeína nos energéticos seja similar à de uma xícara de café — cerca de 60 a 120 mg —, é importante lembrar que outras substâncias estimulantes estão presentes nas bebidas, fazendo com que os efeitos sejam somados.
“O problema dos energéticos vai além da cafeína. A combinação com taurina e altíssimas quantidades de açúcar intensifica os efeitos estimulantes, sobrecarregando o coração, já que o açúcar pode aumentar a pressão arterial e desencadear a liberação de adrenalina, enquanto a taurina pode afetar o metabolismo cardíaco. Portanto, o consumo deve ser moderado e nunca combinado com álcool,” alerta Dr. Lucas Waldeck, cardiologista da Casa de Saúde São José.
Grupos em maior risco
O consumo de energéticos é particularmente arriscado para indivíduos com hipertensão, arritmias ou outras doenças cardíacas, pois esses produtos podem desencadear descompensações. Adolescentes e jovens, que costumam consumir em excesso e misturá-los com álcool, estão sujeitos a riscos de saúde, mesmo se seguirem uma rotina saudável. Gestantes também devem evitar essas bebidas, já que a cafeína pode atravessar a placenta e impactar o feto.
“Altas quantidades de energéticos têm o potencial de sobrecarregar o sistema cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão e distúrbios no ritmo cardíaco. Para quem já apresenta problemas cardiovasculares ou hipertensão, os efeitos podem ser ainda mais severos,” alerta Dr. Lucas Waldeck.
Cuidados com suplementos pré-treino
A nutricionista Andressa Alves de Souza enfatiza que as precauções aplicadas ao consumo de energéticos devem extender-se aos suplementos à base de café, frequentemente utilizados em pré-treinos, já que estes podem conter doses mais elevadas de cafeína e taurina, além de outros estimulantes.
Esses suplementos têm como objetivo proporcionar energia duradoura, mas devem ser utilizados com precaução. “Alguns pré-treinos, por exemplo, não contêm açúcares, mas sim triglicerídeos de cadeia média para fornecer energia. Esses produtos podem incluir cafeína microencapsulada, que melhora a absorção pelo sistema gastrointestinal e prolonga os efeitos da cafeína,” acrescenta a especialista.
Sinais de alerta que exigem atenção médica
Em casos de palpitações constantes, dor ou pressão no peito, dificuldade para respirar, tontura ou sensação de desmaio, é crucial buscar ajuda médica imediatamente. Esses sintomas podem indicar que o coração está sendo afetado pela ingestão de energéticos e requer avaliação urgente. Se persistirem ou piorarem, mesmo indivíduos jovens e saudáveis devem procurar atendimento médico de emergência.
Por Bernardo Bruno
