Comportamento noturno associado a maior risco de demência, aponta pesquisa.

Um recente estudo da Academia Americana de Neurologia indicou que dormir em horários irregulares ou acordar frequentemente durante a noite pode afetar diretamente o risco de desenvolver demência.

A pesquisa, publicada na revista médica Neurology, acompanhou mais de 88 mil pessoas no Reino Unido ao longo de sete anos e revelou que aqueles com padrões de sono inconsistentes têm 53% mais probabilidade de enfrentar demência em comparação com aqueles que mantêm uma rotina de sono estável.

Os participantes do estudo tinham, em média, 62 anos no início da pesquisa, e ao longo do tempo, 480 deles foram diagnosticados com demência. A principal característica comum entre esses casos foi a irregularidade nos padrões de sono, especialmente o hábito de acordar duas ou mais vezes na noite.

Problemas de sono podem impactar a saúde do cérebro

Embora os cientistas ainda busquem entender completamente a relação entre sono irregular e demência, a hipótese mais aceita é que a fragmentação do sono prejudica os processos de limpeza do cérebro que ocorrem durante o descanso. Durante o sono profundo, o cérebro remove toxinas acumuladas ao longo do dia, incluindo proteínas como a beta-amiloide, associada ao desenvolvimento do Alzheimer.

A pesquisa destaca a importância do sono como um fundamental para a saúde cerebral – demaerre/istock

Distúrbios no ciclo do sono interrompem esse processo de “limpeza cerebral”, o que pode aumentar o risco de declínio cognitivo ao longo do tempo. Além disso, um sono irregular também está associado a níveis elevados de estresse, inflamação crônica e desregulação hormonal — fatores que impactam negativamente a saúde neurológica.

Dicas para promover hábitos de sono saudáveis

A boa notícia é que ajustar os horários de sono pode ser uma maneira eficaz de diminuir o risco de demência, segundo os pesquisadores. Estudos anteriores mostram que apenas dormir de sete a oito horas não é suficiente — é crucial manter horários regulares, indo para a cama e acordando sempre em horários fixos, mesmo nos finais de semana.

Evitar cochilos longos durante o dia, criar um ambiente escuro e silencioso no quarto, reduzir o uso de telas antes de dormir e adotar atividades relaxantes à noite são estratégias simples que favorecem um sono contínuo e reparador.

Especialistas do National Institutes of Health também recomendam que adultos dormam entre sete e nove horas por noite, sempre priorizando a regularidade. Eles alertam que padrões de sono fragmentados — como dormir em três períodos curtos de 1 a 4 horas durante o dia — não oferecem os mesmos benefícios protetores ao cérebro que uma noite de sono consolidada.

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