Cientistas revelam possíveis fatores por trás do aumento dos casos de câncer de cólon

O câncer de cólon, também conhecido como câncer colorretal, mostrou um aumento significativo entre indivíduos com menos de 50 anos nas últimas três décadas, embora as razões exatas para isso ainda não sejam claras. Pesquisadores acreditam que fatores como dieta inadequada, obesidade, sedentarismo, exposições ambientais e genética podem contribuir para esse crescimento.

Cientistas da Universidade Johns Hopkins identificaram um gene específico que pode estar relacionado ao câncer de cólon, especialmente entre os jovens, e estão investigando formas de inibi-lo.

Essas descobertas foram publicadas recentemente no Journal of Clinical Investigation.

O gene que promove o câncer de cólon

O gene HMGA1 funciona como uma “chave” molecular que “abre” partes do DNA para ativar genes essenciais ao funcionamento das células-tronco do cólon. Essas células são vitais para a reparação e renovação contínua do revestimento do cólon, que se desgasta naturalmente devido ao processo digestivo.

Estudo identifica chave epigenética que ‘abre’ a porta para o câncer de cólon – Elena Nechaeva/istock

Reguladores epigenéticos, como o HMGA1, reagem a estressores como mutações genéticas, infecções e inflamações decorrentes de uma dieta inadequada, e a superativação do HMGA1 pode resultar em tumores.

A Dra. Linda Resar, professora de medicina, patologia e oncologia no Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, explicou que, ao ativar regiões do genoma, o HMGA1 permite que outras proteínas interajam com o DNA, promovendo uma expressão genética descontrolada nas células-tronco.

O HMGA1 ativa diretamente o gene ASCL2, que está associado ao câncer de cólon em estágios iniciais.

Além disso, níveis elevados de HMGA1 podem ajudar as células tumorais a evitar a detecção pelo sistema imunológico, dificultando o combate ao câncer.

Aspectos do estudo

A equipe de pesquisa investigou os efeitos do bloqueio da atividade do HMGA1 em camundongos com mutações no gene adenomatous polyposis coli (APC), que elevam consideravelmente o risco de câncer colorretal.

Um grupo de camundongos possuía uma cópia do gene APC mutante e habitava um intestino infestado de bactérias inflamatórias, um ambiente que favorece o crescimento do câncer. O outro grupo apresentava duas cópias do gene mutante.

A ativação dos genes de células-tronco em animais com APC mutante resulta na multiplicação das células mutantes, levando à formação de tumores.

Entretanto, ao inativar uma cópia do gene HMGA1 em camundongos, observou-se uma redução no número de tumores, e os camundongos tiveram uma sobrevida maior. Aqueles com apenas uma cópia do HMGA1 apresentaram expectativa de vida normal.

Esses resultados animaram os pesquisadores, pois indicam que, se for possível inibir a função do HMGA1 em 50%, isso poderia ter um impacto significativo no desenvolvimento do tumor, sem causar efeitos adversos à saúde dos camundongos.

Agora, cientes de que o HMGA1 impulsiona o desenvolvimento do câncer de cólon, os pesquisadores buscam descobrir como bloqueá-lo na terapia e estimular uma resposta do sistema imunológico contra os tumores.

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