Flickr/Barry Hammel
Um arbusto que cresce espontaneamente em quintais, margens de rodovias e áreas de reflorestamento – a Trema micrantha blume, conhecida como pau-pólvora – foi recentemente identificada como uma possível nova fonte de canabidiol (CBD) no Brasil.
A pesquisa, realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pode tornar mais acessíveis tratamentos que atualmente dependem da importação de derivados da cannabis e facilitar o enfrentamento de barreiras regulatórias associadas ao THC, um composto psicoativo ausente na Trema.
Por que essa descoberta é significativa?
- Crescimento da demanda por CBD
Utilizado em medicamentos aprovados para epilepsias raras e em pesquisas para dor crônica, ansiedade e doenças neurodegenerativas.
- Isenção de THC
Facilita a aprovação por regulamentações e elimina o risco de efeitos psicoativos.
- Distribuição ampla da planta
Pode ser encontrada em todo o território nacional, inclusive em áreas de recuperação ambiental, o que reduz os custos de cultivo.
Como os cientistas chegaram essa conclusão
A equipe liderada pelo biólogo molecular Rodrigo Moura Neto examinou folhas, frutos e inflorescências através de espectrometria de massas de alta resolução.
O resultado: quantidades detectáveis de CBD e níveis mínimos (ou indetectáveis) de THC. Os dados completos foram divulgados em 28 de novembro de 2024 na revista Scientific Reports, conferindo robustez à descoberta.
O pesquisador expressou sua satisfação com a descoberta em um comunicado: “A flora brasileira é extremamente rica em substâncias bioativas, mas apenas uma pequena parte delas é utilizada para pesquisa. O avanço na exploração de tecnologias a partir dos recursos naturais do país pode ser um significativo progresso para a saúde e a economia.”
Próximas etapas
Aprimorar a extração – O grupo está testando diferentes solventes e temperaturas para aumentar o rendimento de CBD sem comprometer outros compostos bioativos.
Estudos pré-clínicos – Culturas celulares e modelos animais serão usados para avaliar as propriedades anti-inflamatórias, anticonvulsivantes e ansiolíticas.
Parcerias público-privadas – A meta é transferir tecnologia para empresas farmacêuticas interessadas em desenvolver insumos nacionais.
O projeto conta com R$ 500 mil em financiamento federal e estadual inicial, com um cronograma mínimo de cinco anos para chegar às fases de ensaios clínicos.
Impacto potencial
Saúde pública – Possibilidade de redução de custos para aproximadamente 700 mil brasileiros que atualmente utilizam terapias com CBD.
Economia verde – Um novo nicho de fitofármacos que valoriza a biodiversidade e impulsiona cadeias produtivas regionais.
Pesquisa nacional – Incentiva o mapeamento de outras espécies da família Cannabaceae em todo o território.
De planta daninha ao futuro da medicina
A Trema micrantha transforma-se de erva considerada ‘daninha’ em um potencial candidato a biofábrica legal de canabidiol. Se os testes futuros confirmarem a eficácia e segurança, o Brasil poderá produzir seu próprio CBD – sem a necessidade de cultivar plantas de Cannabis sativa.
Estudo sugere que a cannabis medicinal pode ter efeito anti-idade no cérebro
O Tetrahidrocanabinol (THC), um dos componentes ativos da cannabis medicinal, pode ajudar a retardar o envelhecimento cerebral.
Pesquisadores observaram que a cannabis pode ser crucial na preservação das funções cerebrais ao longo dos anos. De acordo com o Dr. Jimmy Fardin, coordenador da pós-graduação em Medicina Endocanabinoide do Grupo Conaes Brasil, essas descobertas abrem novas possibilidades para a preservação da capacidade cognitiva à medida que os indivíduos envelhecem, reduzindo riscos de doenças como Alzheimer e Parkinson.
