Cientistas apresentam nova teoria sobre as possíveis causas do Alzheimer.

Durante anos, a compreensão sobre a doença de Alzheimer esteve centrada no acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, que obstruem a comunicação entre neurônios. No entanto, uma nova pesquisa surpreendente sugere que essa visão pode estar incompleta, ou até errada.

Publicada no Journal of Alzheimer’s Disease, a pesquisa examinou indivíduos com mutações genéticas raras que os tornam extremamente suscetíveis à doença. O estudo focou não apenas nas placas, mas na importância de uma versão solúvel e funcional da beta-amiloide, chamada beta-amiloide 42, que é crucial para a cognição.

Menos proteína funcional, maior risco de demência

Diferente do que se acreditava, os resultados mostraram que níveis baixos de beta-amiloide 42 no líquido cefalorraquidiano (LCR) estão mais fortemente associados à progressão da doença do que a quantidade de placas acumuladas. Isso sugere que a perda da forma saudável da proteína pode representar um risco maior do que o acúmulo da forma tóxica.

Os participantes que apresentaram níveis altos dessa proteína solúvel no LCR conseguiram preservar suas capacidades cognitivas, mesmo na presença de placas. Essa descoberta desafia a noção de que as placas são o principal causador da doença.

A nova teoria sobre a doença de Alzheimer pode mudar completamente o rumo das pesquisas e tratamentos – sudok1/istock

Indivíduos com mutações genéticas raras, como as de Osaka e do Ártico, demonstraram que é possível desenvolver Alzheimer com baixos níveis de beta-amiloide 42, mesmo na ausência de placas visíveis no cérebro. Isso reforça a teoria de que a falta da proteína funcional — e não a presença das placas — pode ser o fator decisivo para o desenvolvimento da demência.

Um novo olhar para os tratamentos

A maioria dos medicamentos desenvolvidos até hoje tem como alvo a remoção das placas do cérebro, mas muitos não têm demonstrado eficácia clínica e, em certos casos, até pioraram os sintomas dos pacientes.

O único medicamento recente que apresentou resultados positivos é um anticorpo que, surpreendentemente, aumenta os níveis de beta-amiloide 42 no LCR, em vez de removê-la. Isso valida a nova teoria de que restaurar os níveis saudáveis dessa proteína pode ser benéfico para a memória e a cognição.

Perda de uma proteína essencial para a memória torna-se foco de estudo sobre o Alzheimer – mr.suphachai praserdumrongchai/istock

Tratamento do futuro? Reposição ativa de proteínas

A partir dessas descobertas, cientistas agora consideram uma abordagem inovadora: a reposição de proteínas funcionais. A proposta é utilizar análogos da beta-amiloide 42 que desempenhem suas funções no cérebro sem formar os aglomerados prejudiciais.

Essa estratégia pode abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de terapias não apenas contra o Alzheimer, mas também para outras doenças relacionadas, como Parkinson e esclerose lateral amiotrófica (ELA), que também envolvem o acúmulo de proteínas defeituosas.

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