Descubra o impacto da amizade na saúde mental

Imagem de Bob Dmyt por Pixabay

No dia 20 de julho, é comemorado o Dia Internacional da Amizade, uma ocasião que destaca a relevância de manter relacionamentos autênticos além das plataformas digitais. A psicóloga Jéssica de Souza Pinheiro, especialista em comportamentos e psicopatologia, ressalta que a amizade serve como um elemento protetivo crucial para a saúde emocional.

“Os amigos funcionam como uma rede de suporte emocional durante diversas etapas da vida: infância, adolescência, vida adulta e velhice. Compartilhar alegrias, desafios e até mesmo o silêncio em momentos difíceis pode diminuir o estresse, a ansiedade e os sintomas de depressão”, afirma. Ela observa que relacionamentos saudáveis promovem um sentimento de pertencimento, bem como autoestima e autocuidado.

Impacto das amizades na vida adulta

Na fase adulta, estabelecer e preservar amizades pode ser um desafio. “As prioridades mudam: trabalho, maternidade/paternidade, relacionamentos amorosos e rotinas exigentes diminuem o tempo disponível para cultivar esses vínculos. Além disso, muitos adultos enfrentam inseguranças ao tentar confiar e se abrir para novas pessoas”, explica a psicóloga. Essa situação pode provocar uma sensação de solidão, mesmo na companhia de outros, alimentando sentimentos de tristeza, apatia e baixa autoestima.

Laços profundos e confiáveis têm um impacto significativo na saúde emocional (Imagem: Roman Samborskyi | Shutterstock)

A importância da qualidade das amizades

Para aqueles que se preocupam com a quantidade de amigos, Jéssica de Souza Pinheiro enfatiza que a qualidade é o que realmente conta. “Contar com uma ou duas pessoas em quem você pode confiar plenamente, com quem pode se abrir sem medo de julgamentos e que ofereçam apoio genuíno é extremamente valioso. Relacionamentos profundos e confiáveis têm um impacto muito mais significativo na saúde emocional do que múltiplas amizades superficiais”, diz.

Cuidados com amizades tóxicas

Entretanto, nem todas as amizades são benéficas. A psicóloga alerta que amizades tóxicas são aquelas que causam mais desgaste do que bem-estar. “Isso pode incluir manipulação, competição disfarçada, cobranças excessivas, críticas disfarçadas de sinceridade ou a falta de apoio nos momentos em que você mais precisa. Se, após interagir com essa pessoa, você se sente exausta, culpada ou diminuída frequentemente, isso é um sinal de alerta”, adverte.

Mantendo amizades na era digital

Na era digital, em que muitos vínculos são mantidos online, Jéssica de Souza Pinheiro orienta: “Embora as redes sociais ofereçam a praticidade de conexões rápidas, é essencial ir além de curtidas e mensagens ocasionais. Mostrar interesse genuíno, enviar mensagens perguntando como a pessoa está, sugerir encontros pessoais sempre que possível e manter uma escuta ativa são maneiras de fortalecer esses laços. A amizade deve ser alimentada com presença, mesmo que virtual, e com verdadeiro afeto”.

Por Sarah Monteiro