Descubra maneiras seguras de consumir proteína

Imagem de Mario Cvitkovic por Pixabay

A popularidade dos alimentos enriquecidos com proteínas ultrapassou o universo das academias e agora faz parte do cotidiano de muitas famílias. Atualmente, é comum encontrar versões “intensificadas” de produtos tradicionais, prometendo energia e vitalidade em cada porção. Esse fenômeno reflete as mudanças nos hábitos contemporâneos e levanta questões relevantes sobre o equilíbrio entre a necessidade real e o excesso.

“Do ponto de vista fisiológico, a proteína é fundamental: ela desempenha um papel crucial na construção e regeneração de tecidos, na síntese hormonal e imunológica, além de ajudar a manter a massa magra. Contudo, é essencial distinguir entre necessidades reais e meros apelos de marketing,” comenta a nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Uso indiscriminado de proteína

A proteína do soro do leite está em toda parte. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) (2024), o consumo de concentrados proteicos aumentou 6,2% e o de bebidas dietéticas cresceu 0,6%. Em 2022, houve um crescimento de 25%.

“A crítica não é ao consumo de proteína em si — que é vital para a pele, cabelo, ossos e músculos — mas sim ao seu uso indiscriminado, muitas vezes sem qualquer finalidade terapêutica. Nem todo indivíduo precisa de 2 g/kg/dia, como frequentemente é divulgado nas redes sociais. Mesmo para quem busca hipertrofia, quantidades entre 1,2 e 1,6 g/kg/dia demonstram eficácia segundo metanálises recentes,” ressalta a Dra. Marcella Garcez.

O consumo excessivo de proteínas, especialmente acima de 2 g/kg/dia sem orientação médica, pode sobrecarregar os rins em pessoas predispostas e, a longo prazo, ser associado a riscos cardiovasculares e renais. “Além disso, muitos desses produtos contêm açúcares, gorduras e aditivos que podem comprometer seu valor nutricional,” alerta a nutróloga.

Quando a suplementação é necessária

É importante considerar a dificuldade prática de atingir as metas proteicas mesmo dentro da faixa recomendada (0,8 a 2,0 g/kg/dia). “Para a maioria da população, especialmente idosos, mulheres e pessoas com apetite limitado, alcançar a meta proteica apenas com a alimentação convencional pode ser desafiador. Pesquisas recentes mostram que muitos adultos e idosos consomem menos do que o ideal, aumentando o risco de perda muscular e funcional com o envelhecimento. Isso justifica, em certos casos, a recomendação de suplementação,” complementa a Dra. Marcella Garcez.

Para os idosos, a ingestão adequada de proteínas é ainda mais crucial. A perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia, impacta diretamente a mobilidade, autonomia e qualidade de vida. “Nesses casos, a suplementação com whey protein pode ser fundamental, especialmente para aqueles que enfrentam dificuldades de mastigação, deglutição ou redução do apetite,” reforça a nutróloga.

O consumo de proteínas pode ser indicado para mulheres na menopausa (Imagem: Jiri Hera | Shutterstock)

Importância das proteínas para mulheres na menopausa

Segundo a ginecologista Dra. Patricia Magier, que desenvolveu o Método Plena para cuidar das mulheres de maneira holística e personalizada, as mulheres na menopausa devem focar no consumo de proteínas. “É fundamental priorizar uma dieta anti-inflamatória, antioxidante, rica em fibras para a saúde intestinal e prestar atenção no consumo de proteínas, a fim de preservar a massa magra do corpo. A construção dessa massa muscular ocorre na juventude,” explica.

Nesse contexto, algumas mulheres podem considerar a suplementação de proteínas. “Após os 40 anos, a tendência de diminuição da massa magra deve ser contornada para manter o metabolismo e prevenir doenças comuns nessa fase, como a sarcopenia. Com a expectativa de vida aumentando para cerca de 80 anos, é vital preservar a massa muscular para garantir autonomia, equilíbrio e locomoção sem depender dos outros,” acrescenta a médica.

Recomendações diárias e contextos clínicos

A recomendação mínima diária de proteína para adultos saudáveis varia de 0,8 g/kg de peso corporal. No entanto, em diferentes contextos clínicos, como envelhecimento, sarcopenia, doenças crônicas e processos de reabilitação, as diretrizes sugerem de 1,2 a 2,0 g/kg/dia.

Alcançar essa quantidade apenas por meio de alimentos in natura requer planejamento e, frequentemente, múltiplas refeições com fontes proteicas ao longo do dia. “Embora uma dieta variada com carnes, peixes, ovos, laticínios, leguminosas e grãos integrais possa atender às necessidades, a alta demanda proteica em determinados contextos torna os suplementos uma opção válida e segura, desde que sejam bem indicados,” pondera a Dra. Marcella Garcez.

A médica também alerta sobre o uso de suplementos de proteína para crianças. “Nem toda criança precisa de suplementos, especialmente quando recebe aleitamento e uma alimentação equilibrada. Há exageros, como o uso de whey protein em mamadeiras, que não têm respaldo científico,” argumenta.

Equilíbrio e orientação profissional são fundamentais

Mais do que seguir tendências, é essencial procurar uma orientação individualizada. “A proteína é importante, mas a saúde não se resume a um único nutriente. A orientação médica e um equilíbrio alimentar são cruciais para alcançar bons resultados,” conclui a Dra. Marcella Garcez.

Por Maria Claudia Amoroso