Andropausa sem preconceitos: o conhecimento é o primeiro passo para o cuidado.

Com o passar dos anos, o corpo masculino passa por transformações, inclusive nos níveis hormonais. Um aspecto notável é a gradual diminuição da testosterona, o hormônio fundamental no organismo masculino, conhecido como DAEM (Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino), ou simplesmente andropausa.

A testosterona desempenha funções significativas, como manter a energia, a força muscular, a libido e o bem-estar geral. Com a queda desses níveis, o homem pode experimentar fadiga, desânimo, diminuição do desejo sexual e até sintomas que se assemelham à depressão.

Andropausa sem tabu: informação é o primeiro passo para o cuidado – mumininan/iStock

A andropausa é uma fase natural do envelhecimento, mas ainda é um tema pouco discutido. Muitos homens ignoram os sinais ou atribuem a sintomas a estresse ou sobrecarga de trabalho, o que compromete o diagnóstico e o tratamento. De acordo com o Centro de Referência em Saúde do Homem, 70% dos homens somente buscam ajuda médica quando incentivados por alguém da família, e mais de metade já chega com condições avançadas.

Campanhas como o Novembro Azul são essenciais, pois ressaltam que cuidar da saúde vai além da prevenção do câncer de próstata. Discutir a andropausa, realizar exames e procurar aconselhamento médico são passos fundamentais para um envelhecimento saudável.

Segundo o urologista Adelmo Aires Negre, da rede AmorSaúde, a andropausa é um processo gradual, ao contrário da menopausa feminina. “A produção de testosterona diminui lentamente, começando geralmente a partir dos 40 anos, com uma redução de 1% a 2% ao ano. Fatores como sedentarismo, excesso de peso, consumo de álcool e tabagismo podem acelerar essa queda hormonal”, explica.

Quais são os sintomas da andropausa e como amenizá-los?

Os sintomas da andropausa podem aparecer de forma sutil, mas tendem a se agravar com o tempo. Entre os mais frequentes, estão:

  • Diminuição da disposição física e mental;
  • Queda da libido e dificuldade de ereção;
  • Alterações no sono e humor, como irritabilidade e desânimo;
  • Redução da massa muscular e aumento da gordura abdominal;
  • Diminuição da concentração e da memória.

“Esses sinais exigem avaliação, pois podem estar relacionados não apenas à diminuição hormonal, mas também a outras condições, como obesidade, diabetes ou depressão”, alerta o médico.

Ao considerar formas de aliviar os sintomas da andropausa, Negre recomenda que, antes de optar pela reposição hormonal, o foco deve ser nas mudanças de estilo de vida. “O tratamento deve começar antes da reposição”, enfatiza. Algumas medidas incluem:

  • Realizar atividades físicas regularmente, priorizando exercícios de força e aeróbicos;
  • Manter uma dieta equilibrada, rica em proteínas, frutas e vegetais;
  • Garantir um sono de qualidade, evitando telas à noite e cafeína excessiva;
  • Gerir o estresse com momentos de lazer e convivência familiar;
  • Evitar tabaco e álcool, que prejudicam a produção hormonal.

Como manter uma vida sexual ativa

A andropausa pode impactar a vida sexual, mas não significa que ela deve acabar. De acordo com o médico, a prática de exercícios, uma alimentação saudável e um sono reparador são fundamentais para a função erétil. “É crucial manter um diálogo aberto com a parceira e buscar ajuda médica para tratar disfunção erétil ou considerar uma reposição hormonal segura, já que a sexualidade masculina depende de três fatores: hormônios, emoções e relacionamentos”, explica.

Os tratamentos atuais apresentam ótimos resultados. “Atualmente, contamos com terapias modernas e personalizadas que ajudam o homem a recuperar a autoconfiança e a ter uma vida sexual satisfatória e segura, desde que sejam acompanhadas profissionalmente”, aponta o médico.

Saber quando procurar um especialista é essencial. “O ideal é buscar ajuda quando os sintomas começam a impactar a qualidade de vida, como cansaço excessivo, queda na libido ou desânimo constante”, recomenda Negre. No consultório, a avaliação inclui análise dos sintomas clínicos, exames de sangue (testosterona total e livre, PSA, glicemia, perfil lipídico) e uma avaliação geral da saúde.

O acompanhamento não se limita apenas ao urologista, podendo envolver uma equipe multiprofissional com nutricionista, educador físico e psicólogo. “Se a deficiência androgênica for confirmada, o urologista abordará a reposição hormonal de forma segura, monitorando exames e riscos cardiovasculares e prostáticos”, conclui Negre.