A Doença de Crohn é uma condição inflamatória crônica que afeta o trato gastrointestinal e impacta a vida de milhares de brasileiros. Apesar de ser um assunto ainda pouco abordado, essa doença impõe desafios significativos na rotina, na alimentação e nas interações sociais, especialmente para aqueles que recebem o diagnóstico na adolescência. Um exemplo é Ruan Nascimento Gonçalves, um estudante de 19 anos que vive em Cedro, no interior do Ceará.
Ruan foi diagnosticado com a doença durante sua adolescência, um período em que muitos jovens estão explorando sua identidade. “Foi uma fase difícil. Fiquei triste por ter sido diagnosticado tão cedo”, recorda ele em entrevista à Catraca Livre, como parte da série especial do Maio Roxo, uma campanha dedicada à conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs).
Sintomas que exigem resistência diária
Os sintomas da Doença de Crohn são diversos e imprevisíveis. No caso de Ruan, eles se manifestam de maneira intensa, impactando seu dia a dia. “Por vezes, sinto um enjoo no intestino… em outros momentos, fico sem energia para realizar qualquer atividade”, explica. Além disso, o acúmulo de gases e as crises intestinais geram desconforto físico e afetam sua saúde emocional. “A ansiedade se intensifica nos dias em que sinto meu intestino instável, o que me deixa muito agitado”, relata.
A combinação de sintomas físicos e emocionais demanda uma resistência diária, que não é visível, mas muito presente. Apesar disso, ele afirma: “De qualquer forma, eu enfrento quando posso”.
A doença e o amadurecimento forçado
Em vez de viver uma juventude despreocupada, Ruan teve que amadurecer rapidamente. “Aprendi a controlar minhas vontades e a entender que preciso ser forte para não desanimar”, compartilha. Isso inclui abrir mão de experiências que muitos consideram simples. Participar de eventos sociais, por exemplo, se tornou um desafio. “Fico apreensivo… a preocupação com a comida é grande”, observa.
A alimentação como campo de batalha
A mudança na alimentação foi drástica e necessária. A dificuldade em encontrar opções seguras para quem vive com uma DII, especialmente em cidades menores, é um dos maiores desafios. “Aprendi a cozinhar a maioria dos pratos que consumo”, relata. Quando sai, o cardápio restrito se torna uma fonte de ansiedade. “Muitos lugares oferecem poucas opções para mim”.
Essa situação revela um problema maior: a falta de inclusão alimentar em ambientes públicos e sociais, o que afeta diretamente a autonomia e o bem-estar das pessoas com DII.
Impacto na autoestima e saúde mental
As repercussões emocionais são profundas. “Após o diagnóstico, minhas inseguranças aumentaram”, admite Ruan. Ele tem receios sobre o futuro e como será visto em relacionamentos. “Sinto insegurança sobre como uma potencial parceira me verá”. Com o apoio psicológico, está aprendendo a enfrentar esses medos.
Rede de apoio
Felizmente, Ruan encontrou suporte em seu ambiente escolar. “Recebi apoio, graças a Deus. As pessoas entendem que enfrento esse problema”. Embora não participe de grupos formais de apoio, ele acompanha perfis e conteúdos sobre a doença nas redes sociais, que servem como fontes de inspiração e informação.
Sua mensagem para outros jovens diagnosticados é clara: “Quando estiver passando por bons momentos, aproveite ao máximo. Não deixe a ansiedade tomar conta da sua mente. Tenha fé em Deus, e tudo dará certo. Não permita que a doença tire a sua vontade de viver”.
