Estudo relaciona problemas menstruais a um aumento de 41% no risco de doenças cardíacas.

Um estudo revela que problemas menstruais frequentes, como endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP), menstruações abundantes e ciclos irregulares, podem elevar o risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

Problemas menstruais podem aumentar o risco de doenças cardíacas, diz estudo – Genrix20061.mail.ru/DepositPhotos

A pesquisa, publicada na revista Heart, examinou 28 estudos com mais de 3,2 milhões de participantes. Os resultados indicam que pessoas com pelo menos uma das condições mencionadas têm um risco 41% maior de desenvolver doenças cardíacas isquêmicas e um risco 33% maior de sofrer doenças cerebrovasculares, em comparação com aquelas que não possuem essas condições.

Razões para a associação

Os pesquisadores sugerem que a inflamação sistêmica e a produção de estrogênio podem ser fatores chave que conectam essas condições ginecológicas às doenças cardiovasculares.

Por exemplo, tanto a endometriose quanto a SOP estão frequentemente ligadas a processos inflamatórios que podem contribuir para o desenvolvimento de problemas cardíacos.

A endometriose é uma condição caracterizada pelo crescimento de células semelhantes às do revestimento uterino fora do útero, afetando órgãos como ovários e trompas de Falópio. Além de causar dor pélvica e infertilidade, a inflamação crônica associada à endometriose pode elevar o risco de doenças cardiovasculares.

“Em relação à endometriose, o que se acredita conectar essa condição ao aumento do risco cardiovascular é a inflamação sistêmica. Portanto, a inflamação poderia ser um mecanismo subjacente à relação entre distúrbios ginecológicos comuns e doenças cardiovasculares e cerebrovasculares”, afirmaram os cientistas.

Por outro lado, a SOP é um distúrbio hormonal que compromete o funcionamento dos ovários, resultando em menstruações irregulares, excesso de pelos e dificuldades para engravidar. Indivíduos com SOP frequentemente apresentam resistência à insulina e inflamação, fatores que podem aumentar o risco de doenças cardíacas.

Além disso, menstruações intensas são definidas pela necessidade de trocar absorventes ou tampões a cada uma ou duas horas, ou pelo uso simultâneo de vários produtos menstruais. Ciclos menstruais irregulares ocorrem quando o intervalo entre menstruações varia de forma significativa, sendo inferior a 21 dias ou superior a 35 dias.

Qual a importância desses achados para a saúde da mulher?

Embora o estudo tenha limitações, como a possibilidade de viés em alguns dos estudos analisados, suas conclusões destacam a importância de uma abordagem integrada para a saúde da mulher, levando em consideração tanto aspectos ginecológicos quanto cardiovasculares.

“Apesar de ser necessário explorar mais a extensão dessa associação e de não ter sido estabelecida a causalidade, as descobertas indicam que é crucial aumentar a conscientização sobre essa relação potencial, tanto no público em geral quanto entre os profissionais de saúde”, enfatizaram.

Identificar e tratar essas condições adequadamente pode ser fundamental para prevenir ou retardar o surgimento de doenças cardíacas e cerebrovasculares em mulheres.