Glaucoma em crianças: risco de cegueira e sua importância.

Dados da OMS revelam que 75 mil crianças perderam a visão devido ao glaucoma – iStock/Mariia Vitkovska – iStock/Mariia Vitkovska

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma representa 5% dos casos de cegueira infantil globalmente. Isso implica que, entre 1,5 milhão de crianças com idades entre 0 e 7 anos, cerca de 75 mil perderam a visão em decorrência dessa condição. Apesar de ser mais prevalente em idosos, o glaucoma pode afetar crianças de forma silenciosa e progressiva, tornando o diagnóstico precoce vital para evitar prejuízos irreversíveis.

A oftalmopediatra Isabela Porto, do CBV – Hospital de Olhos, esclarece que o glaucoma infantil pode ter múltiplas origens, incluindo anomalias congênitas no sistema de drenagem ocular, traumas, infecções ou fatores genéticos. A hereditariedade é um fator importante: crianças com histórico familiar da doença têm um risco maior.

Ela adverte que os sintomas podem ser sutis e facilmente confundidos com outras condições oculares menos sérias. “Sensibilidade à luz, olhos vermelhos e lacrimejamento excessivo podem ser sinais que passam despercebidos. O glaucoma juvenil costuma se desenvolver sem sintomas evidentes, similar ao glaucoma em adultos. Durante uma avaliação, a pressão intraocular geralmente está elevada e pode haver uma ampliação da escavação do nervo óptico.”

Diagnóstico e tipos de glaucoma infantil

Detectar o glaucoma em crianças pode ser complicado, pois elas não têm plena capacidade de descrever suas experiências. O diagnóstico é baseado em exames oftalmológicos detalhados, onde o médico avaliará o diâmetro da córnea, pressão intraocular, transparência da córnea e outros parâmetros. Portanto, é crucial que o exame seja feito por um especialista”, enfatiza a oftalmopediatra do CBV – Hospital de Olhos.

O tipo mais prevalente é o glaucoma congênito primário, que pode se manifestar ao nascimento ou nos primeiros dois anos de vida. Ele causa um aumento na pressão intraocular, que pode resultar em crescimento anômalo do globo ocular. “Os pais devem estar atentos a sinais como opacidade da córnea, olhos maiores que o normal, crescimento desigual entre os olhos e sensibilidade à luz. Esses aspectos ajudam a diferenciar um olho saudável de um afetado pelo glaucoma,” explica a médica.

Por outro lado, o glaucoma secundário pode surgir como resultado de cirurgias para catarata congênita, uso prolongado de corticosteroides, traumas oculares ou malformações oculares. Em crianças mais velhas, a condição pode progredir sem sinais evidentes, reforçando a necessidade de consultas oftalmológicas regulares.

Tratamento e cuidados essenciais

O tratamento do glaucoma infantil pode incluir colírios, cirurgias a laser ou procedimentos cirúrgicos convencionais, dependendo da gravidade do caso. Cada abordagem é personalizada e requer acompanhamento contínuo para garantir o controle da doença. “Os pais e responsáveis têm um papel crucial na eficácia do tratamento, assegurando que a criança utilize a medicação corretamente e compareça às consultas periódicas”, destaca a especialista.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enfatiza a relevância do Teste do Olhinho, que deve ser realizado ainda na maternidade, seguido da primeira consulta oftalmológica entre 6 meses e 1 ano de idade. Como o glaucoma infantil muitas vezes é diagnosticado tardiamente, quando já ocorreram danos à visão, o monitoramento oftalmológico desde cedo é essencial para preservar a visão e minimizar impactos futuros.

Além de tratar, a prevenção e o diagnóstico precoce são as principais estratégias contra o glaucoma infantil. “A visão é um dos sentidos mais valiosos e deve ser protegida desde os primeiros meses de vida. Quanto mais cedo identificarmos qualquer anomalia, maiores serão as chances de garantir uma infância com qualidade visual”, conclui a Dra. Isabela Porto.

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