Uma boa noite de sono é essencial para manter o equilíbrio físico e mental. Durante o descanso, o corpo realiza processos vitais de recuperação, como a regeneração celular, o fortalecimento do sistema imunológico e a regulação hormonal. Dormir adequadamente também ajuda na prevenção de doenças cardíacas, no controle do peso e na melhoria da memória e do humor.
“Priorizar a quantidade e a regularidade do sono, mantendo horários fixos para dormir e acordar, melhora significativamente nossa produtividade física, mental e emocional, além de prevenir várias doenças”, afirma o otorrinolaringologista Dr. Paulo Reis, especialista em Medicina do Sono e coordenador científico do grupo Bonviv Brasil.
A seguir, apresentamos 7 fatores que podem impactar a qualidade do sono e a saúde!
1. A necessidade de sono é pessoal
É importante ter cautela com a ideia de que todos precisam de exatamente oito horas de sono. “Na verdade, cada pessoa tem uma necessidade individual de sono. Costumo comparar a quantidade de sono necessária ao número de calorias que devemos ingerir. Alguns precisam de mais, enquanto outros demandam menos”, explica Dr. Paulo Reis.
Ele assinala que o corpo sabe o que cada indivíduo necessita. “Embora oito horas seja a média para a maioria, há pessoas que necessitam de mais ou menos. Adolescentes e gestantes, por exemplo, costumam precisar de mais horas de sono em relação ao seu padrão habitual. É como se você normalmente consumisse 2000 calorias e, ao iniciar um treinamento mais intenso, seu corpo exigisse mais”, ilustra.
2. Qualidade é tão importante quanto a quantidade
Não é suficiente apenas dormir a noite inteira para ter um sono de qualidade. “Muitas pessoas acreditam erroneamente que dormir muito ou passar a noite inteira dormindo significa que tiveram um sono reparador. Isso não é sempre verdade. Se o sono for leve ou fragmentado, você terá uma qualidade de sono ruim, mesmo que tenha passado a noite toda dormindo”, enfatiza o Dr. Paulo Reis.
De acordo com ele, problemas como o ronco e a apneia do sono são frequentes e podem comprometer a qualidade do descanso. “Essas condições são muitas vezes desconhecidas ou negligenciadas”, alerta. Um sono de qualidade envolve fatores como continuidade durante a noite, estágios normais de sono e horários regulares para dormir e acordar, adaptados às necessidades de cada pessoa.
3. Baixa qualidade do sono pode indicar síndrome comum
Dificuldades para dormir, sono de má qualidade e cansaço, além de dor e formigamento nas pernas e braços, podem ser sintomas da Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), que afeta entre 5% e 10% da população em algum momento da vida.
Cerca de 30% dos casos de SPI têm origem hereditária, enquanto não há causa conhecida para a maioria dos outros casos. “Quando a síndrome é de origem genética, os sintomas costumam ser mais graves e mais difíceis de tratar. Um primeiro passo é investigar se condições associadas, como deficiência de ferro e diabetes, estão contribuindo. Contudo, alguns pacientes continuam a ter dificuldades, mesmo após tratar esses fatores”, explica a médica.
Estratégias como banhos quentes, massagens, aplicação de bolsas térmicas, analgésicos e exercícios físicos regulares podem ajudar a aliviar os sintomas. “Se essas medidas não forem suficientes, a SPI pode ser tratada com medicamentos que aumentam a dopamina no cérebro, além de outras opções. É importante ressaltar que a SPI pode surgir e desaparecer ao longo dos anos sem uma causa aparente”, complementa.
4. A conexão entre sono e enxaqueca é complexa
Segundo o neurologista Dr. Tiago de Paula, membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), muitas pessoas têm suas noites de sono gravemente impactadas pelas crises de enxaqueca.
“As dores e a ansiedade resultantes da enxaqueca causam insônia e despertares frequentes. Além disso, durante a crise, ocorrem alterações químicas no cérebro, que quebram o padrão normal de sono e comprometem a recuperação”, observa.
Esse processo gera um ciclo vicioso. “Dormir pouco aumenta a excitabilidade do sistema nervoso, e sabemos que a enxaqueca está relacionada à hiperexcitabilidade cerebral. Portanto, um sono ruim pode desencadear crises, que também se tornam mais intensas devido à falta de sono”, acrescenta.
Assim, para retomar boas noites de sono e controlar as crises, é crucial buscar um especialista. O tratamento envolve mudanças no estilo de vida e terapias eficazes, como a aplicação de toxina botulínica em locais específicos para reduzir a sensibilidade à dor, além de medicamentos monoclonais Anti-CGRP que bloqueiam substâncias ligadas à dor e inflamação.
“Embora não haja cura, a enxaqueca pode ser bem controlada. Um tratamento adequado pode diminuir a intensidade dos gatilhos”, afirma Dr. Tiago de Paula.
5. Insônia é comum na menopausa
A insônia afeta muitas mulheres na menopausa, impactando negativamente sua qualidade de vida. “Os distúrbios do sono estão frequentemente ligados a flutuações hormonais e a sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, além de fatores como uso de psicotrópicos, obesidade e a não utilização de terapia hormonal, que contribuem para essa condição”, explica a Dra. Ana Paula Fabricio, ginecologista especializada.
Além de comprometer a qualidade de vida, a insônia pode resultar em maior risco de doenças cardiovasculares. “A terapia hormonal pode melhorar tanto os sintomas vasomotores quanto a qualidade do sono. Abordagens como terapia cognitivo-comportamental para insônia e mudanças no estilo de vida também são essenciais”, ressalta a médica.
6. Zumbidos no ouvido podem prejudicar o sono
Algumas pessoas experimentam zumbidos, especialmente após exposições prolongadas a ruídos altos. Embora muitos casos sejam temporários, esses sons podem afetar o sono, pois à noite, em silêncio, parecem mais intensos, segundo Dr. Paulo Reis.
“Para dormir mesmo com o zumbido, recomenda-se gerar um ruído de fundo, como ventiladores ou sons suaves”, sugere o especialista, que acrescenta a importância do “detox sonoro” por 24-48 horas após a exposição a alto volume. Se o problema persistir, é vital buscar ajuda médica para um diagnóstico correto e tratamento adequado.
7. Comer em excesso à noite pode ser prejudicial
Sintomas como dificuldade para dormir e problemas digestivos podem surgir com refeições excessivas antes de dormir. “Esse hábito envia sinais mistos ao corpo, inviabilizando um sono reparador”, explica a Dra. Deborah Beranger, endocrinologista.
“O fígado regula o metabolismo dependendo de quando você come. Se a refeição ocorrer à noite, ele receberá comandos conflitantes, dificultando o processamento dos alimentos e afetando o sono”, diz a médica.
Para minimizar esses desconfortos, recomenda-se fazer a última refeição pelo menos duas horas antes de dormir e evitar pratos pesados. “A desidratação também pode causar desconforto noturno enquanto a ingestão excessiva de líquidos pode levar a pausas frequentes para ir ao banheiro”, conclui a Dra. Marcella Garcez, nutróloga.
Por Pedro Del Claro
